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BRASIL 70: A SAGA DO TRI RESGATA O FUTEBOL COMO MEMÓRIA, IDENTIDADE E PAIXÃO NACIONAL  Mentore Conti Mtb 0080415 SP foto Divulgação e dominio publico Jaboticabal, 5 de junho de 2026 A minissérie Brasil 70: A Saga do Tri, lançada pela Netflix, revisita uma das páginas mais emblemáticas da história do esporte brasileiro ao retratar a campanha da seleção que conquistou o tricampeonato mundial no México, em 1970. Mais do que recontar a trajetória da equipe liderada por Pelé, a produção mergulha nas tensões políticas, sociais e esportivas que cercavam o país durante os anos da Ditadura Militar, oferecendo ao público uma narrativa que dialoga tanto com o passado quanto com o presente. Com foco nas figuras de Pelé, João Saldanha e Mário Zagallo, a série apresenta os bastidores de uma seleção que entrou na Copa sob desconfianças, conflitos internos e forte interferência política. Ao mesmo tempo, recupera o encanto de uma geração que transformou o futebol em arte e consolidou o Brasil como potência mundial do esporte. Uma história conhecida contada sob nova perspectiva Narrar um acontecimento cujo desfecho é amplamente conhecido sempre representa um desafio. Afinal, milhões de brasileiros sabem que a seleção de 1970 conquistou o tricampeonato e produziu algumas das imagens mais marcantes da história do futebol. O mérito da minissérie está justamente em deslocar o foco do resultado para as trajetórias humanas que tornaram aquela conquista possível. A produção constrói sua narrativa em torno de três personagens centrais. De um lado, Pelé aparece como um ídolo pressionado pelo peso de sua própria imagem, tentando equilibrar a condição de maior jogador do mundo com as expectativas de um país inteiro. De outro, João Saldanha surge como o treinador responsável pela montagem da equipe, mas que acabou afastado do comando após divergências políticas e conflitos com setores do poder. Entre ambos está Zagallo, encarregado da missão de assumir uma seleção já pronta, porém cercada por dúvidas e desconfianças. O resultado é um drama esportivo que ultrapassa as quatro linhas e transforma o futebol em ferramenta para compreender o Brasil daquele período. Futebol tratado como espetáculo cinematográfico Um dos aspectos mais elogiados da série é a recriação das partidas e dos momentos históricos da campanha mexicana. A direção aposta em uma linguagem visual dinâmica, utilizando recursos como câmera lenta e enquadramentos que ressaltam o caráter quase mítico daqueles jogadores. As jogadas de Pelé, Gérson, Jairzinho, Rivellino e Carlos Alberto Torres ganham tratamento épico, aproximando o esporte da linguagem dos grandes filmes de aventura e dos heróis populares. O resultado transmite ao espectador a sensação de estar acompanhando algo maior do que uma simples competição esportiva. O cuidado técnico também aparece na reconstrução dos uniformes, cenários, estádios e ambientes da época, contribuindo para a imersão histórica da narrativa. O Brasil além dos gramados Embora o futebol seja o eixo principal da história, a série não ignora o contexto político dos anos 1970. A presença constante dos militares nos bastidores da seleção evidencia como o regime procurava associar a conquista esportiva à imagem de um país forte e unido. Ao abordar essa relação entre esporte e poder, a produção evita transformar a campanha do tricampeonato em uma simples celebração patriótica. Pelo contrário, procura mostrar as contradições de uma época marcada simultaneamente pela euforia do futebol e pela repressão política. Outro momento relevante é a lembrança do trauma da derrota brasileira na Copa de 1950, especialmente por meio da figura do goleiro Barbosa. A série recupera uma das maiores injustiças da história do esporte nacional: a responsabilização quase permanente do atleta pelo revés diante do Uruguai no Maracanã. Um diálogo com o Brasil atual Talvez o aspecto mais interessante de Brasil 70: A Saga do Tri seja sua tentativa de estabelecer paralelos entre o passado e o presente. A narrativa sugere que a seleção brasileira atravessa hoje um momento semelhante ao vivido antes da Copa de 1970, quando o descrédito da torcida e da imprensa parecia incompatível com uma futura conquista mundial. A produção também discute a disputa simbólica em torno da camisa amarela, lembrando que os símbolos nacionais pertencem à população e não a grupos políticos específicos. Essa reflexão aparece de forma sutil, mas ajuda a conectar a história do tricampeonato às discussões contemporâneas sobre identidade nacional e pertencimento. Uma homenagem ao futebol brasileiro Mais do que uma série sobre vitórias e troféus, Brasil 70: A Saga do Tri funciona como uma homenagem ao futebol enquanto elemento cultural brasileiro. A produção resgata um período em que a seleção era capaz de unir diferentes gerações em torno de um sentimento coletivo e revive a memória de jogadores que transformaram o esporte em patrimônio cultural do país. Ao combinar reconstituição histórica, drama humano e espetáculo esportivo, a minissérie oferece não apenas um retrato da campanha do tricampeonato, mas também uma reflexão sobre o papel do futebol na formação da identidade brasileira. Ficha Técnica Título: Brasil 70: A Saga do Tri Plataforma: Netflix Criação: Rafael Dornellas e Naná Xavier Elenco principal: Lucas Agrícola, Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo, Marcelo Adnet, Fillipe Soutto, Gui Ferraz, Daniel Blanco e Caio Cabral Gênero: Drama esportivo e histórico Tema central: A campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970 e seus desdobramentos políticos, sociais e culturais.
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Primeira foto frame da serie seg foto Joao Saldanha 3 foto Carlos Alberto Torres recebendo a taça 4 foto Cerimonia com presidente Medici e Carlos Alberto Torres com a Taça