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PARASITA: UMA ANÁLISE DA OBRA-PRIMA SUL- DE
2019
Mentore Conti Mtb 0080415 SP foto frames do filme
Jaboticabal, 17 de maio de 2026
Introdução
Lançado em 2019, o
filme sul-coreano
"Parasita"
(Gisaengchung), dirigido
por Bong Joon-ho,
transcendeu as barreiras
culturais e se
estabeleceu como um marco cinematográfico global. A
obra, que habilmente transita entre gêneros como
suspense, comédia negra e drama, oferece uma crítica
social perspicaz sobre a desigualdade e as complexas
relações de classe. Sem revelar detalhes cruciais do
enredo, este artigo explora os elementos que
contribuíram para o seu sucesso estrondoso, focando
na sua inovadora fotografia, nas performances
cativantes do elenco, na impressionante coleção de
prêmios e na sua vasta repercussão junto ao público e
à crítica.
A Linguagem Visual da Desigualdade: Fotografia de
Hong Kyung-pyo
A cinematografia de "Parasita", orquestrada por Hong
Kyung-pyo, é um dos pilares que sustentam a narrativa
visual do filme. Kyung-pyo emprega uma abordagem
meticulosa que não apenas embeleza as cenas, mas
também serve como uma ferramenta narrativa
poderosa para ilustrar a profunda divisão social. A
utilização de linhas e enquadramentos é notável,
frequentemente separando os personagens de acordo
com suas posições sociais, criando uma sensação de
hierarquia visual que espelha a hierarquia econômica. A
composição das cenas, muitas
vezes utilizando escadas e níveis
verticais, reforça essa ideia de
ascensão e queda social, com a
casa da família rica, projetada por
um arquiteto renomado,
contrastando drasticamente com
o semiporão da família pobre.
A iluminação é outro elemento
crucial. A residência dos Park é
banhada por uma luz natural abundante e ampla,
simbolizando a transparência e o conforto da riqueza.
Em contrapartida, o ambiente da família Kim é
frequentemente imerso em uma luz amarelada, artificial
e escassa, que evoca uma sensação de confinamento
e precariedade. Essa dicotomia visual não é
meramente estética; ela aprofunda a compreensão do
espectador sobre as realidades distintas vividas por
cada família, sem a necessidade de diálogos
expositivos. O aspecto ratio de 2.39:1 contribui para a
grandiosidade das cenas, especialmente aquelas que
exploram a arquitetura
imponente da casa dos Park,
ao mesmo tempo em que
acentua a claustrofobia dos
espaços mais apertados.
A Maestria Interpretativa: O
Trabalho dos Atores
O sucesso de "Parasita" é
inseparável das
performances excepcionais
de seu elenco, que recebeu
aclamação global por sua
capacidade de transitar entre
o humor, o drama e o
suspense com notável
fluidez. O filme é um exemplo brilhante de atuação de
conjunto (ensemble), onde cada membro do elenco
contribui de forma significativa para a complexidade e a
riqueza da história. A química entre os atores é
palpável, criando dinâmicas familiares e sociais que
são ao mesmo tempo críveis e perturbadoras.
Song Kang-ho, no papel de Ki-taek, o patriarca da
família Kim, entrega uma performance contida, mas
que explode em momentos de intensa emoção e
tensão. Sua habilidade em transmitir a dignidade e o
desespero de seu personagem é fundamental para a
empatia do público. Park So-dam, como Ki-jung, a filha
astuta, brilha com seu carisma e sarcasmo,
personificando a inteligência e a resiliência necessárias
para navegar no mundo. Cho Yeo-jeong, interpretando
a Sra. Park, a matriarca da família rica, oferece uma
representação convincente da ingenuidade e da
alienação da classe alta, cujas preocupações são
distantes das realidades enfrentadas pelos Kim. O
reconhecimento da excelência do elenco foi solidificado
com o SAG Award de Melhor Elenco em Filme, um
testemunho da força coletiva de suas atuações.
O Reconhecimento Global: Prêmios e Distinções
"Parasita" fez história ao conquistar uma série de
prêmios e distinções que o elevaram ao panteão do
cinema mundial. Sua jornada de sucesso começou no
Festival de Cannes de 2019, onde recebeu a cobiçada
Palma de Ouro, tornando-se o primeiro filme sul-
coreano a alcançar tal feito. Este prêmio foi um
prenúncio do que viria a ser uma campanha de
premiações sem precedentes.
O ápice do reconhecimento veio
no Oscar de 2020, onde "Parasita"
chocou o mundo ao levar para
casa quatro das mais prestigiadas
estatuetas: Melhor Filme, Melhor
Diretor para Bong Joon-ho, Melhor
Roteiro Original e Melhor Filme
Internacional. A vitória na categoria
de Melhor Filme foi particularmente histórica, pois
marcou a primeira vez que um filme de língua não
inglesa recebeu o prêmio máximo da Academia. Além
do Oscar, o filme também foi agraciado com o Globo de
Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e dois BAFTAs, nas
categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Filme
em Língua Não Inglesa. Esses prêmios não apenas
celebraram a qualidade artística do filme, mas também
abriram portas para o cinema sul-coreano e para filmes
internacionais em geral, desafiando a hegemonia de
Hollywood.
Repercussão e Impacto Cultural
A repercussão de "Parasita" foi além das salas de
cinema e das cerimônias de premiação, gerando um
impacto cultural significativo em escala global. O filme
se tornou um fenômeno de bilheteria, arrecadando mais
de US$ 250 milhões mundialmente, um feito notável
para uma produção de língua não inglesa. No Brasil,
"Parasita" também obteve um sucesso estrondoso,
alcançando marcas históricas para filmes estrangeiros
e demonstrando o crescente interesse do público
brasileiro por produções cinematográficas diversas.
O filme provocou discussões intensas sobre
desigualdade social e a luta de classes, temas centrais
da narrativa. Conceitos como o "cheiro de metrô", que
se tornou um símbolo do preconceito e da invisibilidade
social, foram amplamente debatidos, evidenciando a
capacidade do filme de ressoar com as realidades
sociais de diferentes países. A crítica especializada o
aclamou universalmente, com uma impressionante
pontuação de 99% no Rotten Tomatoes, consolidando
sua posição como uma obra-prima contemporânea.
"Parasita" não é apenas um filme; é um espelho que
reflete as tensões e contradições da sociedade
moderna, convidando o público a uma reflexão
profunda sobre privilégio, pobreza e a complexidade
das relações humanas.
Onde Assistir (no Brasil)
Atualmente, "Parasita" está disponível para streaming
em diversas plataformas no Brasil, incluindo Netflix,
Prime Video, Globoplay e Telecine (via Prime Video
Channels). Além disso, o filme pode ser alugado ou
comprado em plataformas digitais como Apple TV e
Google Play Filmes.
Ficha Técnica
Título Original: Gisaengchung Direção: Bong Joon-ho
Produção: Kwak Sin-ae, Moon Yang-kwon, Bong Joon-
ho Roteiro: Bong Joon-ho, Han Jin-won Elenco
Principal: Song Kang-ho, Lee Sun-kyun, Cho Yeo-
jeong, Choi Woo-sik, Park So-dam, Lee Jung-eun, Jang
Hye-jin Fotografia: Hong Kyung-pyo Montagem: Yang
Jin-mo Música: Jung Jae-il Direção de Arte: Lee Ha-jun
País: Coreia do Sul Idioma: Coreano Duração: 132
minutos Gênero: Suspense, Comédia Negra, Drama
Distribuição: CJ Entertainment (Coreia), Neon (EUA),
Pandora Filmes (Brasil) Ano de Lançamento: 2019
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